Educação artística para deficientes visuais

A arte está em todo o lugar, em tudo o que se vê, nos objetos, nas construções, nas paisagens e nas pessoas. Através da arte, os arquitetos exploram espaços e estilos, os dançarinos combinam gestos, os atores afloram nossas emoções, as pessoas escondem suas características negativas e realçam as positivas, as mulheres maquiam o rosto e fazem penteados nos cabelos, os homens vestem seu melhor terno e escolhem exigentemente seus sapatos. Pela arte os poderosos esnobam o seu poder, e os rebeldes gritam suas revoltas. O mundo se veste de arte, e o ser humano, ao despir-se dela, já não faz parte deste mundo. A arte, para os que não a conhecem, está limitada ao que se vê. Entretanto, aquilo que se vê, consiste apenas de uma resultante, produto obtido da complexa união de tudo o que se sente. A arte, portanto, não existe para ser vista, mas sim para ser compreendida em sua essência. E entender a arte, desafia a capacidade humana de ultrapassar seus limites, nascidos na estreiteza do raciocínio lógico, e ir mais longe, para além daquilo que se vê, entrando na música, sentindo a energia sutil das cores, percebendo a tensão do clímax, lendo nas entrelinhas, traduzindo em sentidos aquilo que por vezes, não parece fazer sentido. As pessoas com deficiência visual, em sua maioria, não tem acesso à arte, estão alheios à estética do seu tempo e dos tempos passados, mas não porque a arte seja visual, e sim porque ela se revela no outro, naquilo que se pode sentir, ouvir e tocar. Mas as pessoas, de mentes estreitadas pela ilusão de compreender a partir do ver, excluem e retiram da pessoa com deficiência visual, a possibilidade de entender a arte a partir de sua essência, o sentir. De modo geral, os alunos cegos ou com baixa visão são excluídos de apresentações escolares que envolvam a dança, o teatro e a pintura. Os professores não sabem ensinar os alunos cegos a desenhar e pintar, assim como os pais destes alunos também não souberam. Então, este aluno recebe uma atenção diferenciada, no sentido puro e simples da palavra, uma atenção diferente, digna dos incapazes. Suas avaliações são diferentes, os conteúdos aos quais têm acesso são reduzidos, nas atividades desenvolvidas em grupo, o aluno com deficiência visual não participa, ou se participa, é de uma maneira obsoleta e irrelevante. Este curso não pretende ensinar arte, mas sim as outras maneiras de enxergá-la, os métodos e a importância da inclusão da pessoa com deficiência em trabalhos artísticos. O aprendizado da dança, contribui para a aquisição de coordenação motora e equilíbrio, aspectos tão deficitários em pessoas com deficiência visual. BENEFÍCIOS E POSSIBILIDADES: As artes cênicas auxiliam o deficiente visual a compreender a linguagem corporal e desenvolver habilidades de localização espacial, capacidades fundamentais para a vida independente e social. Aptidões estas que ele não adquiriria pela imitação visual. Através da música, pode-se lapidar a ritmicidade dos alunos, a compreensão auditiva, a comunicação pela dança, a contagem do tempo e a marcação das coreografias. As artes plásticas, não necessitam estar atreladas a um pincel com tinta. Podem-se elaborar desenhos e pinturas em alto relevo, utilizando-se diversos materiais, inclusive reciclados. As esculturas em material modelável e as maquetes, montadas com quaisquer materiais que tivermos a nossa disposição, permitem ao deficiente visual expressar sua visão de mundo. E a partir de sua visão do mundo, podemos auxiliá-lo na formação de novos conceitos, mais aproximados da realidade. PÚBLICO ALVO: Professores, animadores culturais, familiares de pessoas cegas ou com baixa visão, ou as próprias pessoas com deficiência visual que queiram conhecer todas as possibilidades para o seu desenvolvimento artístico. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Artes cênicas Expressão Corporal Técnicas de improvisação e dramatização Manifestações folclóricas Contação de histórias Expressão Vocal: Modulação da voz Linguagem corporal Técnicas para o ensino da dança Escuta corporal A orientação espacial e a marcação do palco Presença de palco O ensino de instrumentos musicais Ensino de canto para deficientes visuais Como incluir deficientes visuais e videntes na mesma equipe artística Aspectos psicológicos da inclusão do deficiente visual em equipes Trabalhando com artes plásticas O contraste de cores para alunos com baixa visão Recorte e colagem Formas geométricas Fantoche com material de sucata Confecção de esculturas Confecção de maquetes Pinturas e tipos de desenhos Desenhos em autorrelevo Quadros 3d Visitação em exposições de artes A audiodescrição aplicada a eventos artístico-culturais Barreiras atitudinais